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Engenhos do Cariri Cearense - Crato/CE


                            Crato – CE

                                                                                              Heitor Feitosa Macêdo

Crato, cidade localizada no sul do estado do Ceará, foi a primeira vila aí a ser criada, no ano de 1764, sendo que os atuais municípios da microrregião do Cariri (segundo definição do IPECE) derivam do seu antigo território.
Apesar de este município ainda ser referenciado como “Cratinho de Açúcar”, hoje, apenas um engenho funciona, mas só produz aguardente, o “Engenho do Brigadeiro”.
Esta é uma tentativa de registrar os engenhos da região do Cariri Cearense. Quem desejar contribuir com maiores informações, por favor, entrar em contato conosco: email: heitorfeitosa82@hotmail.com e (88) 999514600 – zap.

 1.      Engenho Lagoa Encantada

• Data da Fundação: provavelmente, século XIX.
Fundador:  coronel José Rodrigues Monteiro (?).
Tecnologia: inicialmente, este engenho era movido a boi, “um dos melhores da região”, no entanto, veio ser substituído por motor e caldeira, ao tempo do coronel José Rodrigues Monteiro. Posteriormente, o engenho passou a ser acionado a óleo diesel e à eletricidade, havendo um maquinário importado da Inglaterra. Foi no Engenho Lagoa Encantada que ocorreu a primeira experiência da mecanização da lavoura de açúcar no Cariri, utilizando-se um trator com grade de disco, sulcador e cultivador, que ainda podem ser vistos ao lado das ruínas (JFF, ERC, p. 42 a 44). Também utilizava-se como técnica de cultivo a curva de nível e a irrigação da plantação era feita por meio de inundação, através de um canal de alvenaria que ainda pode ser visto nas imediações. Também, passou a ser usado o “chalet” na casa de fornalha, para evitar a sufocação dos trabalhadores pelo o vapor d’água oriundo dos tachos ferventes. Na década de 1950, o Lagoa Encantada era um dos maiores engenhos do município do Crato.
Insumos Agrícolas: além do trator, também eram utilizados adubos: torta de mamona, algodão, pó de bagaço, cinza e carvão.
Produção de Rapadura: na década de 1950, tinha uma fornalha capaz de produzir 32 cargas de rapadura por dia (uma carga possuía 100 rapaduras).
Produção de Aguardente: havia um alambique “contínuo” para produção de 300 canadas de aguardente por dia (uma canada tem 2,662 litros). Fazia-se o aproveitamento da “borra”, “baba” ou, como era comumente conhecida, a “cachaça”.
Produção de Açúcar: não há informação.
Prédio que Abriga o Maquinário: encontra-se em ruínas, havendo em seu interior algumas peças do engenho movido a óleo diesel e à eletricidade.
Casa Grande: com tijolo adobe, platibanda e biqueiras. Está arruinada, mas ainda é possível identificar seus alicerces ao lado de um loteamento habitacional.
Senzala: consta que houve escravos (tradição oral), mas nada foi informado sobre a existência de senzala.  
• Casas dos Trabalhadores: consta ter havido investimento para a melhoria das habitações dos trabalhadores, trocando a palha das choupanas por telhas.
• Atividade Atual: entrou em fogo morto, aproximadamente, na década de 1960. Hoje, as terras são destinadas à criação de gado.
• Atual Proprietário: Romel Bezerra.
Lendas, Tradições e Costumes: A Lenda da Lagoa Encantada o nome deste engenho deriva de uma antiga lenda sobre um sumidouro, espécie de areia movediça, ainda descrita pelos moradores da circunvizinhança. Mesmo depois da estação chuvosa, algumas partes deste sítio permanecem inundadas, formando “traiçoeiros sumidouros” em diversos pontos, que oferecem grande risco às pessoas e aos bichos que transitam pela redondeza. Ocorre que, no princípio da colonização do Cariri, diz-se que um carreteiro, ao tanger uma junta de bois, cantando em noite enluarada, sumiu no brejo sem deixar vestígios, tendo, assim, se “encantado”, e que, deste tempo em diante, no brejo mal-assombrado ainda podia-se ouvir a toada do carreiro desaparecido e o gemido do velho carro de madeira. Alguns moradores afirmam que neste brejo existe uma “mãe d’água”. Tudo isto indica a presença de uma antiga tradição indígena sobre a “Ipanema” (do i = água + panema = desgraçado ou azarado) relacionada a uma característica comum nos brejos do Cariri, os sumidouros. Ademais, a figura da mãe d’água liga-se à uma das principais divindades indígenas, Iara. Habitantes e arqueólogos têm encontrado nas proximidades da área inúmeros materiais líticos e cerâmicos de origem indígena.     
Acidentes de Trabalho: conta-se que um “rapaz” chamado Eliseu, tendo chegado de uma festa à noite, teve que iniciar o expediente cedo da madrugada, como de costume, assumindo a sua função de metedor de cana. Ocorre que, cansado, veio a cochilar, momento em que inclinou as costas em direção às possantes moendas, as quais pinçaram a roupa do jovem, arrastando-o para o seu interior, a ponto de o esmagar por inteiro, exceto o coração, que saltou da caixa torácica para o chão da casa das máquinas, ainda pulsante. Conta-se que “dr. Teles” pretendeu indenizar a família, mas o pai do garoto não aceitou a oferta. Observação: estas informações foram colhidas em entrevista com Geraldo Pereira de Sousa, vulgo: “Geraldo Fumaça”, descendente dos “escravos” e trabalhadores do dito engenho, e com Vicente Felipe Filho.
                  Ruínas do Engenho Lagoa Encantada (Foto: Heitor Feitosa Macêdo)

                 Parte do Maquinário do Engenho Lagoa Encantada (Foto: HFM)

              Sucata do trator que era utilizado na lavoura da cana-de-açúcar (Foto: HFM).

Foto tirada em 2.9.1959. Visita ao Sítio Lagoa encantada de propriedade do dr. Joaquim Fernandes Teles. Da esquerda para a direita: 1- F.S. Nascimento; 2- Dr. Hermano J. Monteiro Teles; 3- Dr. Gustavo Barroso; 4- Coronel Raimundo Teles Pinheiro; 5- Jornalista J. Lindenberg Aquino; 6- Capitão Ariovaldo (Arquivo do Instituto Cultural do Cariri - ICC).

Foto tirada em 2.9.1959. Visita ao Sítio Lagoa encantada de propriedade do dr. Joaquim Fernandes Teles. Da esquerda para a direita: 1- Capitão Ariovaldo; 2- F.S. Nascimento; 3- Dr. Hermano J. Monteiro Teles; 4- Dr. Gustavo Barroso; 5- Coronel Raimundo Teles Pinheiro; 6- Jornalista J. Lindenberg de Aquino (Arquivo do Instituto Cultural do Cariri - ICC).

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